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Antevisão da participação da Honda no Circuito da Boavista

Honda Civic WTCCEste fim-de-semana o Campeonato WTCC despede-se da Europa, com a prova de Portugal que terá lugar nas ruas da Boavista, na cidade do Porto. O Circuito da Boavista registou a sua primeira participação no WTCC há oito anos e detém rica história de competição motorizada, tendo sido anfitriã do Grande Prémio de Portugal inaugural, em 1950.

Para Tiago Monteiro, piloto português da Castrol Honda World Touring Car Team, a corrida no traçado citadino será um regresso emocionado à cidade natal – já para não mencionar a oportunidade de terminar a primeira metade da temporada com nota alta. Ao piloto de 37 anos não faltará apoio de fãs. Adicionalmente ao factor casa (mais de 200.000 espectadores são esperados durante o fim-de-semana), a família Honda estará presente em força, para o apoiar, bem como a Tarquini e ao resto da equipa. Os fãs que se deslocarem ao Porto certamente irão notar a presença da Honda. Nas Chegadas do Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro poderão deparar-se com o Civic WTCC, em exposição na Loja de Turismo Interactiva da cidade do Porto. Os organizadores da ronda Portuguesa do WTCC terão à sua disposição 30 viaturas Honda, que serão utilizados como veículos oficiais de pista – incluindo o serviço de transfers de e para o circuito. Estes são apenas dois dos muitos componentes da forte acção promocional que a Honda Portugal planeou para apoiar a passagem do FIA WTCC – e em particular a Castrol Honda World Touring Car Team – pelo país.

Será um fim-de-semana importante por muitas razões”, diz Tiago. “Muitas pessoas da Honda estarão lá, mas também amigos, família e fãs, a quem quero dizer olá. Adoro esta faceta do meu trabalho, mas, ao mesmo tempo, terei de estar concentrado para dar o meu melhor na tarefa que tenho em mãos, terminando na frente com o Civic, tanto na qualificação, como em ambas as corridas...” Actualmente, Tiago Monteiro, segue atrás do companheiro de equipa, Gabriele Tarquini, que está no segundo lugar na classificação da tabela de pilotos do FIA WTCC. No entanto, a diferença de pontos não intimida Tiago “É justo dizer que estive azarado até este momento da temporada”, comentou. “Estive envolvido em alguns acidentes, como sabem, mas são coisas que acontecem no primeiro ano – faz parte das corridas e sei-o como piloto. Simultaneamente, estamos no ano de estreia no Campeonato. Aprendemos em cada corrida, todos trabalham arduamente e isso permite-nos preparar melhor para o futuro.
Para a sétima ronda do FIA WTCC, aos Honda Civic serão retirados os 30 kg de lastro e, na opinião de Tiago, a perda de peso será crucial. “É óbvio para todos os que acompanham a temporada que o peso extra – acrescentado após o nosso sucesso na Eslováquia – não nos tem ajudado. Também estou convencido que tornar o Civic mais leve será um ponto de viragem na época e permitirá voltar a lutar na frente.

Nascido no Porto, foi em França que cresceu, o que explica o início da sua carreira nas competições Francesas. “Cresci em Paris, onde os meus pais trabalhavam em hotelaria e mercado imobiliário”, explica Tiago em Francês fluente – sem qualquer pronúncia Portuguesa. “O meu pai também corria, mas eu não tinha qualquer ambição de o fazer e ele não tinha tempo livre para me ajudar, de qualquer forma. Foi durante os meus estudos – numa escola de hotelaria, na Suíça, que era a minha paixão na altura – que, por acaso, tive a oportunidade de fazer um test drive em circuito. Adorei e fui convidado para participar na Porsche Cup. Só por gozo.” Por gozo ou não, venceu 5 corridas, tornou-se campeão e foi eleito rookie do ano em 1997. Nesse mesmo ano, Gabriele Tarquini sentou-se pela primeira vez ao volante de um Honda Accord, no famoso Campeonato Inglês de Carros de Turismo. No entanto, apesar  do seu sucesso, naquela altura da sua vida, Tiago não tinha quaisquer planos de fazer carreira na competição automóvel. “Tinha 20 anos e não olhava tão à frente para o meu futuro, mas os que me eram próximos estavam convencidos que eu era demasiado rápido para ficar numa competição monomarca. Incentivaram-me a participar na Formula 3 Francesa.

Após o processo de aprendizagem no ano de estreia na F3 – dominado por David Saelens e Franck Montagny – venceu a sua primeira corrida em 1999, terminando a temporada em sexto lugar na tabela de pilotos. Seguiu-se outro ano de sucesso, mas Tiago já procurava evoluir. “À semelhança de muitos jovens pilotos Franceses, o meu primeiro e único objectivo era a Formula 1. No entanto, devido a constrangimentos financeiros, acabei por completar a quarta temporada na Formula 3. Venci quatro vezes nesse ano e recebi uma proposta da Supernova para me transferir para a Formula 3000.” Pilotando para a equipa de David Sears, Tiago teve de lutar contra o campeão desse ano, Sébastien Bourdais - “Bourdais estava na terceira época de Formula 3000 e foi um grande desafio. Desconhecia alguns circuitos e não tive oportunidade de pilotar o que gostaria, pois os testes privados foram banidos. Conseguia ver a luz ao fundo do túnel e por isso aceitei uma proposta de Fittipaldi para rumar aos Estados Unidos da América e pilotar no American Champ Car. Mas foi sol de pouca dura. Infelizmente a equipa debatia-se com problemas financeiros e rapidamente voltei à estaca zero.
Apesar deste revés, foi seleccionado pela Renault para o programa de desenvolvimento de piloto de F1.
Após o meu regresso dos EUA, um engenheiro da Minardi contactou-me – falamos durante um teste em Espanha e foi dessa forma que me tornei um piloto de testes para a equipa. Por forma a manter-me mais activo, Carlin – que conhecia desde os tempos de F3 – ofereceu-me a oportunidade de entrar na World Series by Nissan. Desta forma, foi a Minardi e particularmente Carlin, que me permitiu lançar a minha carreira na direcção da Formula 1.” Tiago obteve cinco vitórias no WSN, mas foi insuficiente para afastar do título Heikki Kovalainen que estava na segunda temporada deste campeonato. De qualquer forma, foi a primeira vez que um rookie terminava em segundo lugar na classificação de pilotos e que vencia tantas provas. Enquanto o Finlandês dava um passo ao lado para o novo campeonato GP2 (que substituiu a F3000), Tiago obteve a oportunidade com que sempre sonhou – a mudança para a Formula 1. Fez a sua estreia no Grande Prémio da Austrália, em 2005, ao serviço da Midlands – Jordan (posterior Spyker). Foi um ano em que conquistou o terceiro lugar no Grande Prémio dos Estados Unidos da América e bateu o recorde do maior número de provas terminadas numa temporada (18), por um rookie – um registo que ainda é seu. Tornou-se o piloto Português de Fórmula 1 com maior sucesso, suplantando Pedro Lamy. Tiago permaneceu na Formula 1 por mais uma temporada, mas seria a sua última. “Houve muitas reuniões com a Toro Rosso para ficar uma terceira temporada, mas não se concretizou. Eu queria continuar a pilotar ao mais alto nível em desporto motorizado e tinha intenção de pilotar um carro de turismo, como tal optei pelo FIA WTCC.” Graças ao seu impressionante CV, encontrou de imediato um lugar na Seat Sport em 2007, numa equipa de fábrica, ao lado de Gabriele Tarquini, Yvan Muller, Ryckard Rydell e Jordi Gené. Quando a Seat encerrou o seu programa de equipa de fábrica, em 2010, Tiago manteve-se fiel àquela marca e decidiu conduzir um Seat de uma equipa privada, mantendo Gabriele Tarquini como companheiro.
Estava convencido que outros construtores iriam envolver-se no WTCC e iriam procurar pilotos com experiência, como tal continuei a dar o meu melhor. Isso permitiu-me integrar a Honda Racing Team JAS nas três últimas provas de 2012 do WTCC.

Estas três corridas preparatórias, sentado ao volante do Civic WTCC, foram concluídas com um fantástico terceiro lugar final nas ruas de Macau. “Pode comparar-se o circuito do Porto com o traçado citadino de Macau: é muito técnico e rápido. Ficar na frente da grelha de partida é muito importante, tal como em Macau e Marraquexe, em corridas de traçado  citadino. No entanto, contrariamente ao que as pessoas poderão pensar, não terei a vantagem de correr em casa, no Porto. As estradas portuárias, utilizadas na corrida, encontram-se no sentido contrário ao do tráfego diário. Aquilo que realmente poderei apreciar será o facto de dormir em casa e deslocar-me a pé para o circuito. É algo único para mim durante a temporada e um autêntico presente!

Fonte: Honda Portugal